Falemos então de desporto: Fim dos Mundiais e Europeus

O Verão já acabou no Hemisfério Norte e com ele vão terminando quase todos os Campeonatos do Mundo e da Europa das mais variadas modalidades. E Portugal, no ano de 2007, esteve em grande. Este ano, houve 34 campeões da Europa e 20 campeões do Mundo – todos eles premiados pela CDP – cuja gala serviu de inspiração a este editorial.
Comecemos pelos desportos individuais – atletismo, triatlo e judo.

No atletismo, alguns atletas portugueses tiveram prestações fantásticas no Mundial. Em Osaka, no Japão, foram os saltadores Naide Gomes e especialmente Nelson Évora a trazer os melhores resultados. Nelson Évora arrecadou o ouro no triplo salto e Naide Gomes e Naide Gomes esteve perto de uma medalha mas acabou por ficar na quarta posição. Uma grande desilusão foi Francis Obikwelu que foi eliminado por falsa partida.

No triatlo, basta dizer que Vanessa Fernandes foi campeã mundial. Arrisco dizer que, caso o triatlo fosse uma das mais populares modalidades a nível nacional e internacional, Vanessa Fernandes seria uma das mais famosas e prestigiadas atletas do mundo. E mesmo não sendo tão famosa ou prestigiada quanto desejaríamos, continua a ser das melhores do mundo. Fantástico. Dá gosto vê-la fazer soar o hino nacional em tantas e tantas competições. Esperemos que a próxima seja os Jogos Olímpicos de Pequim!

No judo, Telma Monteiro continua a dar cartas e foi medalha de prata no Mundial, neste Verão. Mais uma atleta de grande gabarito que ainda continuará a dar-nos muitas alegrias.

Agora, os desportos colectivos – Basquetebol e Râguebi. Nestes dois casos, a simples presença numa destas competições foi, desde logo, uma vitória. Pela sua valia (ou falta dela) no plano teórico e por tudo aquilo que diziam das nossas equipas, estas duas formações acabaram por superar as expectativas.

A selecção portuguesa de basquetebol conseguiu, não só o histórico apuramento para o Eurobasket, em Espanha, como acabou com uma honrosa classificação. Os pupilos de Valentim Melnichuk qualificaram-se com alguma surpresa e acabaram por causar ainda mais sensação quando, deixando para trás a Letónia, se qualificaram para a segunda fase do Eurobasket. Depois, Portugal ainda derrotou Israel. Conclusão: ficámos no Top10 da tabela classificativa, mais precisamente o 9º lugar. Todos merecem os louros e todos foram, de um modo ou outro, importantíssimos mas referir João Santos ou Francisco Jordão na hora de destacar os mais preponderantes não será, de todo, injusto.

Depois do Eurobasket, o Mundial de Rugby. Nunca, no nosso país, tanta atenção tinha sido dada a este desporto encantador; nunca, no nosso país, os ”Lobos” haviam sido alvos de tamanho mediatismo. A população viu e sentiu de perto as exibições lusitanas em França. Jamais se pensaria que um conjunto de amadores, apaixonados por uma modalidade com tão fraca expressão no seu país – com falta de infra-estruturas e de apoios a todos os níveis -, conseguissem fazer o que até então ninguém tinha feito: ser a primeira selecção amadora a jogar num Mundial. E não foi fácil. Foi preciso ir a um Play-Off e ganhar ao Uruguai. E, apesar de não termos ganho nenhum jogo (ainda que contra a Roménia a vitória nos tenha escapado por pouco), demos uma boa réplica e mostrámos a nossa fibra – a fibra lusitana, de gente humilde e trabalhadora. Mas vencedora. E os “Lobos” foram vencedores por tudo aquilo que conseguiram fazer e por terem elevado o nome do nosso país. Foi um orgulho ouvir o hino cantado por gente tão grande, em tamanho e em dedicação.

Faltam ainda dois campeonatos importantes para Portugal. Em primeiro lugar, o Campeonato Mundial de Futebol de Praia 2007, que, como aconteceu nos últimos quatro anos, se irá disputar na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (Brasil). Aqui, Portugal poderá rectificar a quarta posição alcançada em 2006. Recorde-se que, além das finais perdidas em 1999, 2002 e 2005, Portugal já ganhou a prova em 2001. Em segundo lugar, o Campeonato Europeu de Futsal, que vai decorrer em Portugal, mais precisamente na zona do Grande Porto, nos pavilhões de Gondomar e Matosinhos. A grande popularidade da modalidade no nosso país e as provas dadas pela FPF no que respeita à organização pesaram na decisão de trazer até ao nosso país este Europeu. Portugal é uma das mais fortes equipas do mundo e o factor casa poderá ser preponderante numa possível boa campanha lusa neste campeonato.

Depois de tão boas prestações nos mais variados Mundiais e Europeus, espera-se agora que no Futebol de Praia e no Futsal as coisas corram se maneira semelhante. Eu acredito que sim.

No fundo, quero, com este texto, enaltecer as grandes prestações de portugueses – e em nome de Portugal – por muitos atletas que, nos últimos meses, levaram o nosso nome e os nossos símbolos além-fronteiras.

Francisco Reis
Sub-editor de Desporto

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