Miguel Pereira*
Portugal qualificou-se para o Euro’2008, que se vai realizar na Áustria e na Suiça. Uma qualificação esperada, diga-se de passagem. No entanto, para alguns esta fase de apuramento ficou aquém das expectativas, pois alguns exigiam o primeiro lugar no grupo e que não precisássemos de um mísero empate na última jornada.
Falou-se por aí que era um grupo acessível, o que não deixa de ser verdade. O facto de ser acessível, contudo, não quer dizer que seja fácil. Portugal encontrou neste grupo A duas equipas que haviam estado no último Mundial, Sérvia e Polónia, uma formação habituada a estar presente em fases finais, a Bélgica, e uma selecção que evolui de ano para ano, a Finlândia. Portanto, podemos concluir que o nosso grupo não era assim tão fácil como alguns supostos teóricos de futebol – que sabem muito de teoria e tão pouco de prática – apregoavam.
A juntar a um conjunto de jogos difíceis e deslocações longínquas, não nos podemos esquecer que o seleccionador nacional não pôde contar sempre com os seus melhores elementos: Ricardo Carvalho, Fernando Meira, Jorge Andrade, Petit e Deco, devido a lesões, não puderam dar o seu contributo à nossa selecção em todos os jogos e a experiência destes jogadores fez muita falta na comitiva nacional.
Desde que chegou a Portugal, é moda – nunca percebi porquê – criticar Scolari no jornalismo português e atribuir os méritos da equipa das quinas a todos, menos ao sargento, que comanda as tropas. Tenho de confessar que muitas vezes não concordei com as opções de Luiz Felipe Scolari. Gostaria de ter visto Vítor Baía – a pessoa que eu mais idolatro no mundo do futebol – a defender a baliza nacional no Euro’2004, sou da opinião que Ricardo Quaresma e Tonel mereciam mais estar no Mundial’2006 do que Luís Boa Morte e Ricardo Costa. Mas o seleccionador é quem tem a decisão final e, como qualquer bom treinador, conta com os jogadores que lhe dão mais confiança. Ainda para mais – algo que devia calar todos –, este técnico brasileiro tem conseguido resultados históricos para o futebol português, nada mais que um segundo lugar no Campeonato da Europa (algo que nunca tinha sido atingido antes) e o melhor resultado num Mundial, em quarenta anos. Porém, nem estes excelentes resultados calam os (chatos) críticos.
Enfim, podemos concluir que a comitiva portuguesa, com uma excelente equipa técnica e uma série de jogadores com qualidade acima da média, é uma das favoritas à conquista do título europeu. Temos uma formação quase perfeita. Digo quase – nada é totalmente perfeito – pois ainda temos umas lacunas que têm de ser resolvidas até ao começo do Euro, nomeadamente a falta de um goleador e de um lateral esquerdo acima da média. Esperemos, por isso, que até Junho a sorte acompanhe os nossos ponta-de-lanças da e que aquele que, em minha opinião, é o melhor lateral esquerdo português da actualidade, Antunes, passe a jogar regularmente num qualquer clube, de modo a estar na convocatória final de Luiz Felipe Scolari.
*Editor de Desporto



















