Caso Bosman no Ciclismo?

By oonline

João Fragata

Jean-Marc Bosman foi na década passada, uma pessoa muito importante para o futebol europeu. Não por ser um grande futebolista (era praticamente desconhecido), mas porque contestou na justiça civil as regras de transferências no futebol, o que originou uma tremenda revolução na circulação livre de futebolistas estrangeiros na UE.

edtt-vinosits.jpg

Ora, essa revolução foi permitida graças à mestria de Luc Misson, o advogado que agora pretende revolucionar a regulação de anti-dopagem no ciclismo. Como? Misson foi contratado pelo ciclista Andrei Kashechkin, acusado de dopagem, e que quer agora mostrar que as regras antidopagem violam os direitos humanos, estando disponível ir até ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.

No passado dia 1 de Agosto, o russo foi submetido a um controlo extra-competição pela União Cicilista Internacional (UCI), quando se encontrava na Turquia. Nessa análise foi reconhecida uma transfusão de sangue com dador compatível, uma técnica que dias antes tinha sido apanhada no líder da equipa de Kashechkin, o cazaque Alexandre Vinokurov. Podendo apanhar 2 anos de suspensão, eis que o russo, através do seu advogado, pretende lutar pelos direitos humanos, dizendo que a sua defesa se baseia na Convenção Europeia dos Direitos do Homem, em especial nos artigos sexto e oitavo e contestando a legitimidade da UCI, como organismo privado, para realizar controlos antidoping, achando que apenas organismos públicos deverão ser capazes desses controlos, o que não é o caso dos médicos das brigadas antidoping da UCI, e que os testes devem ser “livremente aceites por quem é visado”.

Misson parece também mais interessado no protagonismo causado com este caso, de modo a conseguir atingir uma escala europeia ou mesmo mundial. Segundo o jornal Público, Misson deixa claro que “se perdermos, iremos para o tribunal de apelo, depois para o tribunal supremo e depois para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. E aí estaremos numa posição muito boa, pois a decisão terá efeitos europeus e talvez mundiais.”

Esta revolução poderá, tal como no futebol, ter graves consequências, sendo que o fim dos controlos extracompetição acabará com a forma mais fácil de apanhar quem se dopa, porque antes de os haver, a táctica era dopar os ciclistas nos treinos, sendo que esses treinos seriam feitos de modo a dissipar quaisquer vestígios das substâncias ilegais.

Estaremos então perante o novo Bosman?

Fontes: Públco e Infordesporto

Tags:

Deixar uma Resposta