Futebol italiano novamente marcado pela tragédia

By oonline

Cláudia Bragança

Voltaram a acabar em tragédia confrontos entre os tifosi e a polícia italiana. Gabrielle Sandri, de 26 anos, conhecido DJ da capital italiana, foi atingido fatalmente a tiro, durante confrontos entre as claques da Lázio e da Juventus. A tentativa de um polícia de acabar com a luta entre adeptos dos dois clubes, disparando dois tiros, o segundo deles acidentalmente, como afirmam o próprio agente e os seus colegas, acabou por resultar na morte do conhecido adepto laziale.

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Tudo aconteceu no final do jogo entre a Juventus e a Lázio, a contar para a principal liga de futebol italiana. As claques dos dois clubes envolveram-se em confrontos numa estação de serviço em Arezzo e um polícia, com o intuito de acabar com os desacatos, disparou um tiro para o ar. Terá sido, contudo, um segundo tiro, disparado acidentalmente, como advoga o seu autor, a atingir fatalmente o jovem romano, que se encontrava dentro de uma viatura.

Apesar de Giuliano Amato, ministro italiano do Interior, ter confirmado já a abertura de um inquérito para apurar todas as responsabilidades e de Giancarlo Abete, presidente da Federação Italiana de Futebol, ter lamentado a morte de Gabrielle Sandri e feito votos para que este triste acontecimento não piorasse ainda mais as relações entre ultras e polícia, os seus desejos parecem não se ter feito ouvir, uma vez que os adeptos laziale não se demoraram na reacção, vandalizando duas esquadras da polícia em Roma e a sede do Comité Olímpico (COIN).

Esta foi a segunda vez, no curto período de nove meses, que confrontos deste género fizeram vítimas mortais em Itália. No passado mês de Fevereiro, Filippo Racito, inspector-chefe da polícia, perdeu a vida durante confrontos entre adeptos do Catânia e do Palermo.

Autor dos disparos destroçado: “Destruí duas famílias”

A identidade do autor do disparo que vitimou Gabrielle Sandri foi mantida em anonimato, o que não impediu o polícia de fazer declarações de extremo desespero a jornais italianos, nomeadamente ao “Corriere della Sera” e ao “Il Giornale”. “Não fiz pontaria a ninguém. Estava a 200 metros. Disparei o primeiro tiro para o ar, o segundo saiu enquanto corria. Sei que estou arruinado. Destruí duas famílias, a daquele rapaz e a minha”, foram alguns dos desabafos feitos, entre lágrimas, pelo autor do disparo que se revelou fatal para Gabrielle Sandri.

Segundo os regulamentos, o agente da autoridade, após o disparo, deveria ter guardado a arma no coldre, mas os seus colegas defendem-no, dizendo que nestas situações de perseguição a criminosos é normal correr-se de arma em punho.

O desespero não impediu, no entanto, que o polícia fosse acusado de homicídio, situação que pode ainda ser agravada para a acusação de homicídio voluntário, uma vez que uma testemunha disse tê-lo visto a disparar com as duas mãos na arma e com os braços esticados. “Não me parece que tenha disparado para o ar”, disse ainda. As perícias policiais parecem dizer que o tiro foi disparado à altura de um homem. Uma vez que, segundo declarações do agente policial, do outro lado da ponte existia uma rixa entre cerca de uma dezena de adeptos, os seus colegas acreditam que a bala terá sofrido um desvio.

Mais feridos e mais vandalismo na “resposta” à morte de Gabrielle

Os ultras italianos fizeram questão de não deixar passar em branco a morte do seu companheiro, Gabrielle Sandri.

Unidos, os adeptos da Lázio e do Roma atacaram duas esquadras da polícia, bem como a sede do Comité Olímpico (COIN). Destes confrontos entre polícias e ultras, resultaram 40 feridos entre os agentes policiais. Foram detidos quatro adeptos, acusados de terrorismo. A sede do Comité Olímpico registou estragos na ordem dos 100 mil euros. Posteriormente, mais oito adeptos, desta vez do Atalanta, foram também apreendidos pelas autoridades, tendo um deles sido libertado quase de seguida.

Estes terão sido os principais responsáveis pelos incidentes que não permitiram a realização do encontro Atalanta x AC Milan.

Ligas secundárias param

Na sequência deste trágico acidente, as principais comissões ministeriais e desportivas italianas reuniram-se com o intuito de tomar algumas decisões que aumentem a segurança dos seus estádios.

Primeiro de tudo, suspenderam as jornadas seguintes do segundo e terceiro escalões. Na liga principal, optaram por não fazer nenhuma paragem, uma vez que o campeonato já se encontrava em pausa, devido a compromissos das selecções nacionais.

Foi também proibida a deslocação em massa de adeptos violentos e estudada a possibilidade de a partir de 1 de Março, nos estádios com capacidade superior a 7 500 lugares, suspender os jogos se não existirem condições de segurança.

UEFA E ONU também se manifestaram sobre o caso

A ministra do Desporto italiana, afirmou ter pedido a suspensão dos campeonatos à Federação de Futebol, estando agora à mercê desta a decisão.
A ministra disse ainda que “Nesta hora de luto, é necessário que se produzam gestos fortes e significativos provenientes do mundo do futebol. Os valores do futebol foram duplamente atingidos porque morreu um jovem adepto e porque a violência disparou novamente”.

Não se limitaram, contudo, às fronteiras italianas as reacções sobre os actos de violência que tiveram como consequência mais grave a morte do adepto da Lázio, Gabrielle Sandri.

Se nos casos da ministra do Desporto e do ministro da Administração Interna de Itália as declarações foram no sentido de exigir o total apuramento das responsabilidades e de prevenir que no futuro tais situações não se repitam, os porta-vozes da UEFA e da ONU foram ainda mais longe.

O representante da UEFA, William Gaillard, disse não se tratar de um problema do futebol italiano mas sim de um problema social. Adolf Ogi, conselheiro especial do secretário-geral da ONU, disse condenar”com grande firmeza toda a violência, tanto a que precedeu como a que se seguiu”. O porta-voz da ONU disse mesmo que ”Matam seres humanos mas também o desporto, a sua imagem e credibilidade”.

Fonte: O Jogo

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Uma Resposta para “Futebol italiano novamente marcado pela tragédia”

  1. italo de sousa lira Diz:

    quero q acaba com a violência nos estadios

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