João Fragata
Acabou o Europeu de Futsal. A modalidade abandona assim a cidade de Gondomar que em cerca de uma semana recebeu a modalidade e encheu o pavilhão para os jogos. Portugal conseguiu a sua melhor marca mesmo tendo ficado fora do pódio. Conseguiu também mostrar potencial para ter um futuro auspicioso e apenas foi castigado pela inexperiencia da equipa em si, em fases do campeonato.
Portugal até não começou mal o campeonato empatando a 0-0 no primeiro jogo contra a toda poderosa Itália. Foi um jogo onde os portugueses mostraram que foram para o Europeu com vontade de ser campeões. Seguiu-se a Rep. Checa, onde Portugal mostrou a sua raça. Estando a perder por duas vezes no jogo (por 1-0 e por 3-1) os pupilos de Orlando Duarte mostraram a sua qualidade e recuperaram o jogo ganhando por 5-3. Contudo ficou também visto que há algumas coisas a melhorar, e a defesa começa a ser uma delas. A falta de experiência para gerirem resultados também. Por fim, carimbaram a passagem às meias-finais com o jogo mais “à vontade” dos jogadores. Receberam a Roménia e ganharam por claros 3-0, e pela primeira vez conseguiam ir às meias-finais.
Contudo, a tal falta de calma e experiência mostrou-se no jogo das meias e no da atribuição de 3º e 4º lugares. Na primeira calhou na sorte que Portugal iria defrontar a campeã europeia e mundial, Espanha. O jogo até começou bem, muito bem mesmo para a nossa Selecção. Entraram com garra, com querer. Não foi de espantar então que Portugal conseguisse estar a ganhar por 2-0 até 4 minutos do final. Os golos foram marcados por Gonçalo e Ricardinho, este último provavelmente um dos melhores (se não o melhor) do torneio com o jogador do Benfica a corresponder de forma acrobática a um passe de Pedro Costa. Contudo, e embora tenham tentado organizar da melhor maneira o resultado, quando os espanhóis decidiram investir com mais um jogador, tirando o Guarda Redes por um jogador de campo, foi quando Portugal não aguentou a pressão. Sofreu o 2-1 aos 36’ por Daniel e aos 38’ Andreu lançou um balde de água fria aos adeptos e aos jogadores Portugueses. Quando foram para o desempate por Penalties, era muita a esperança, e seria justo pelo que a Selecção fez no campeonato. Contudo Joel e Leitão não conseguiram marcar as grandes penalidades e a Campeã europeia podia assim tentar defender o seu título.
Restava-nos o 3º lugar. Contudo nem isso os jogadores conseguiram, não por não tentarem, mas porque o azar também decidiu bater à porta. A Rússia tinha perdido com a Itália nas meias-finais, e como é sabido no futebol e futsal também o próximo é que paga a conta. E infelizmente foi o que se sucedeu. No jogo de atribuição do 3º e 4º lugar, Portugal entrou como em todos jogos,com vontade e até começou a ganhar num jogo que logo de início mostrava maior domínio português e em especial Pedro Costa que em apenas 5 minutos teve duas oportunidades de marcar golo. A Rússia teve também a estrelinha com eles quando Israel primeiro e depois Arnaldo, remataram ao poste, quando já parecia golo certo. Contudo Portugal continuou a pressionar e a 5 minutos do fim da primeira parte conseguiu mesmo o 1-0 por Gonçalo que depois de uma atrapalhação de Zuev conseguiu marcar.
Contudo, até ao fim do 1º tempo a Rússia dava a volta ao resultado e marcou 2 golos em apenas 30 seg. Primeiro Cirilo aos 16’55’’ e depois Fukin aos 17’25’’ colocou os russos à frente. Portugal voltava a fazer o mesmo, com o jogo na mãoe deixava-se ir abaixo e perdia a concentração e a calma. A segunda parte foi cheia de emoção com oportunidades variadas para os dois lados. A Portugal faltava-lhe era calma e discernimento na hora H. Contudo aos 35’ Leitão mostrou como se fazia e numa jogada individual conseguiu empatar o jogo. Pensar-se-ia que era desta que dávamos a volta, mas não. Apenas 33 seg depois a Rússia ia fazer o resultado final com Shayakhmetov a colocar a Russia no pódio com a medalha de Bronze.
Portugal despediu-se então com o 4º lugar. Não obstante de ter sido a melhor classificação portuguesa de sempre em Europeus, os portugueses são mesmo assim e ficava-se a pedir um pouco mais. Portugal teve o apoio necessário, mostrou o potencial suficiente para pelo menos disputar a final e até vencer. Contudo, Orlando Duarte ainda tem trabalho pela frente, e com esforço e trabalho Portugal pode vir a ser uma das melhores selecções do mundo. Para nós portugueses, já o é. Curiosidade também para as palavras do seleccionador, que mostra que esta prova foi boa para divulgar a modalidade, e esperemos que tenha mudado a ideia das pessoas que desporto é só o futebol. Tal como Orlando Duarte também eu espero que “.. seja um incentivo para os nossos jovens jogadores e que o futsal se possa desenvolver no nosso país.” Esperemos que sim.
Espanha é bi-campeã europeia.
Enquanto Portugal ficava pelo 4º lugar a Espanha aproveitou para vencer e revalidar o seu título de campeã europeia e a ganhar o seu 3º título europeu. Curiosidade para este jogo ter sido a réplica da final do último Mundial de Futsal em 2004, que a Espanha também venceu mas por 2-1 .
Como em qualquer final, começou muito calmo, com as equipas a testarem-se e a tentarem ganhar espaços. Contudo a Espanha mostrou o porquê de ser a melhor do mundo e aos poucos foi fazendo o resultado final. Se pela Itália Foglia tentava marcar, pela Espanha Marcelo mostrava que era um adversário a respeitar. Não foi portanto de estranhar que o espanhol aos 9’ marcasse após grande jogada de Álvaro. A Itália tinha que ir atrás do prejuízo e foi isso que fez até ao final da 1ª parte. Contudo, nada quebrava a baliza de Amado. E já na segunda parte aos 22’ a missão ficou mais dura quando a Espanha, continuando a velocidade cruzeiro, marcou de novo por Daniel, onde Álvaro esteve outra vez na jogada, tendo rematado primeiro para depois um dos 3 melhores marcadores do torneio, ter feito o 2-0 e quase sentenciar o jogo. Tanto que a Espanha não demorou muito e aos 27’ voltou a marcar. Marcelo (sempre ele) a fazer uma grande jogada para Javi Rodriguez fazer o 3-0 e sentenciar o jogo. Contudo a Itália arriscou e mandou o guarda redes Feller avançar e fazer de jogador de campo. Tal medida foi frutífera e aos 30’ o italiano rematou forte e a bola, depois de um desvio foi para o fundo das redes, estabelecendo o resultado final. O 3-1 animou um pouco o jogo, mas a Espanha soube ter a calma suficiente (que falta fez isso a Portugal) e fez a festa, tendo então o título de bi-campeã europeia em título e o de campeã mundial.
Portanto, a classificação ficou Espanha em 1º, a Itália em 2º, os Russos em 3º e a nossa Selecção em 4º.
Quanto a melhores marcadores nota para o facto de haver 3 melhores marcadores com 5 golos, e para a surpresa Predrag Rajic, cujos golos foram todos marcados na fase de grupos pois a Sérvia nem passou dessa fase. Os outros dois foram Cirilo (que marcou o 5º contra Portugal) e Daniel, que até se estreeou a marcar em fases finais do Europeu e que consegui assim o prémio também. Quanto a portugueses, Ricardinho estava quase quase a conseguir também esta distinção, ficando com 4 golos marcados. Fica para 2009 na Hungria, quando a competição já tiver 12 equipas.
Fontes: Site oficial do Europeu Futsal, Infordesporto
Foto: Arquivo Online
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