Falemos então de desporto: Vou-te bater, outra vez!

Miguel Pereira*

Na jornada 19 da Bwin Liga, assistimos a cenas lamentáveis no final do jogo em que o Nacional venceu o Vitória de Guimarães, por 1-0, no Estádio da Madeira. O técnico alvi-negro, Pedrag Jokanovic, teve uma paragem mental e quis tirar satisfações com o técnico adversário, Manuel Cajuda. Depois de ver as imagens – que muitos dos leitores com certeza também viram –, tenho pouco acrescentar.

Pelo que parece, no jogo da primeira volta, Manuel Cajuda terá dito a Jokanovic:”Vou-te partir a cara”. Algo que me custa, sinceramente, a acreditar. O técnico vimaranense é aquilo a que podemos chamar um “gentleman” do futebol. Uma pessoa extremamente calma e pacífica. Para alguém que já acompanha o desporto rei há vários anos, custa a acreditar que o Manuel Cajuda tenha dito algo do género.

E mesmo que tenha dito, será esta a forma correcta de resolver as coisas? Óbvio que não. Jokanovic podia chegar ao pé de Cajuda e dizer: “Então sempre me faz partir a cara?” Discretamente, sem chamar a atenção das câmaras; assim evitava um castigo de, por enquanto, 45 dias.

Contudo, há que realçar que esta reacção do treinador sérvio poderia ter acontecido no final do jogo da primeira volta, ou então há pouco mais de um mês, aquando de um encontro entre as duas equipas para a Taça de Portugal. Mas não: Jokanovic quis responder às alegadas ameaças de Cajuda no seu reduto – onde pelos vistos foi ajudado pela polícia – e numa situação em que saísse vencedor. Porém, esta cena é profundamente lamentável e não dignifica o futebol português.

Mais lamentável ainda é o suposto envolvimento do corpo da PSP presente no Estádio da Madeira, que se envolveu na confusão, não com o intuito de acalmar os ânimos, mas sim para se juntar à festa e, ainda mais grave, do lado do agressor. Uma prova disso poderá as marcas no pescoço do jogador vimaranense Radonovic.

Esta aparente colaboração dos corpos policiais, contudo, é algo que me causa alguma estranheza. Como adepto do Marítimo, estou habituado frequentar o Estádio dos Barreiros, onde a segurança sempre foi exemplar. Recordo-me de situações de tentativas de agressão a jogadores adversários em que os corpos policiais agiram prontamente. Só não percebo é por que não procederam da mesma forma neste jogo.

Pedrag Jokanovic errou e terá de pagar pelo seu erro. Não podemos comparar, no entanto, esta situação com o caso Scolari, pois as diferenças são bem evidentes: Scolari foi defender um dos seus atletas, algo que foi comprovado no relatório do árbitro, enquanto que Jokanovic quis resolver da pior forma supostas desavenças antigas.

A avaliação deste caso poderá vista num prisma muito simples: Manuel Cajuda sempre demonstrou ser um profissional calmo e sereno, enquanto Jokanovic, quando representou o União, Marítimo e Nacional, como jogador, foi sempre um excelente profissional, mas com pouca calma, pouca serenidade e sobretudo com muita … impulsividade.

*Editor de Desporto

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