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Especial clássico da capital: Vontade que não se traduziu em golos

Outubro 6, 2007

Miguel Pereira

Foi, sem dúvida, o jogo mais quente da ronda seis da Liga Portuguesa. O Online não quis ficar indiferente ao derby de todas as emoções e montou um especial, com a opinião dos adeptos e uma apreciação à arbitragem de Pedro Henriques.

Com um campeonato aquém das expectativas, nomeadamente no lado dos encarnados, os velhos rivais de Lisboa entraram em campo com um só objectivo: vencer. Talvez por isso é que assistimos um jogo equilibrado, em que o resultado acabou por ser o mais justo.

Ambas as equipas tentaram com que o resultado fosse outro, porém os avançados das duas partes estiveram em dia não. As defensivas também estiveram em evidência, nomeadamente a leonina, que secou grande parte das jogadas de ataque da equipa da casa.

Os comandados de Camacho até foram aqueles que mais procuraram alterar os acontecimentos, mas, com nítida falta de esclarecimento, pouco incomodaram Stojkovic.

Em suma, num jogo em que ambas as equipas não podiam ceder pontos, digamos que quem saiu vencedor deste jogo acabou por ser o líder FC Porto, que vê os velhos rivais cada vez mais longe. A partilha de pontos acaba por penalizar mais os encarnados, devido ao desastrado começo de época, desta equipa que demora a encontrar-se.

Opinião do adepto benfiquista, por Fábio Canceiro

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48222 espectadores vestiram as bancadas do Estádio da Luz para assistir a mais um derby com os vizinhos da 2º circular. A alegria e a motivação patente no rosto dos adeptos, pareceu não contagiar os jogadores. Lá baixo no relvado as duas equipas jogavam sem alma. O Sporting e o Benfica partiam a 5 e a 6 pontos do FCP, respectivamente, e por isso exigia-se mais entrega e garra às duas equipas.

Nos primeiros 15 minutos ainda se vislumbrou algum futebol. A dupla Di Maria e Rui Costa pôs os reflexos de Stojkovic à prova. Uma entrada “avassaladora” do Benfica que não se manifestou em golos por ineficácia do último reduto encarnado. A partir da meia hora o Sporting ganhou o controle do jogo e terminou melhor de que o Benfica.

Na segunda parte assistimos a um jogo equilibrado com oportunidades para cada lado. A destacar o lance mais flagrante de golo em toda a partida, a perda incrível de Nuno Gomes (mais uma!) à boca da baliza. Começa a ser sistemática a displicência deste jogador na hora de atirar à baliza. Do lado do Sporting, Romagnoli e Anderson Polga foram as grandes figuras. O primeiro pela qualidade técnica que em vários momentos do jogo se tornou fulcral para causar desequilíbrios, o segundo pela solidez ofensiva que prestou à sua equipa . Do lado do Benfica destacaram-se Quim (para não variar), Di Maria (cada vez mais Di Magia), o Maestro e Cristian Rodriguez. No cômputo geral podemos dizer que o Benfica esteve mal do ponto de vista ofensivo, mas o sector defensivo, aparentemente o mais fragilizado com as lesões, esteve mais uma vez à altura dos acontecimentos.

A manchar o jogo esteve, mais uma vez, a arbitragem. Supostamente Pedro Henriques terá deixado 3 grandes penalidades por assinalar, contudo após a visualização das imagens, podemos perceber que o único penálty claro foi sobre o jogador do Benfica, Freddy Adu. Por conseguinte, não se percebe a revolta de Paulo Bento no final do jogo.

Em suma, assistimos a um dérbi pobre, cinzento como o próprio tempo. Um resultado que, a meu a ver, se ajusta, e que castiga as duas equipas. O grande vencedor da jornada, o Futebol Clube do Porto, esse sim segue isoladíssimo no 1º lugar.

Opinião do adepto sportinguista, por Sérgio Mendonça

A expectativa era grande. A tensão muita, para não fugir à regra. Um ponto separava os dois velhos e eternos rivais da capital, que já viam os homens do norte no topo, em mais uma fuga que a cada metro perdido vai deixando o título mais longe e difícil de alcançar. De qualquer forma, na luta pelo primeiro lugar ou pelo último, pela Liga dos Campeões ou pela Taça de Portugal, um dérbi é um dérbi e como o de Lisboa não há igual neste Portugal. Pode até já não haver troféu em disputa, mas a competição essa é interminável e há sempre um campeonato à parte para vencer… o da 2ª circular.

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Em pleno estádio da Luz, enquanto os jogadores aqueciam no relvado, conscientes do peso que carregavam aos ombros ao envergarem tão históricas camisolas, o ambiente era o do costume por estas ocasiões: escaldante, com as bancadas a fervilhar, o olhar dos adeptos a espelhar ansiedade, o habitual roer de unhas a não esconder o característico nervosismo, os cânticos ou gritos sem senso a ecoar de ambos os lados, barulho, confusão, cor, muita cor, com o vermelho a predominar, também em virtude dos muitos lugares que infelizmente ficaram por ocupar, mas o verde, tímido, também ia surgindo, aos poucos, e pintando mais uma noite que se esperava de grande festa para o futebol português… ou pelo menos para um dos seus principais emblemas.

No palco de todos os sonhos os intervenientes pareciam finalmente preparados: os mais de 48 mil adeptos estavam já quase todos sentados, as gargantas pareciam finalmente afinadas, as equipas estavam alinhadas e os nervos pareciam cada vez mais estar à flor da pele, à espera de um apito que abrisse as hostilidades e soltasse o stress interior. Os olhos de milhões de portugueses espalhados por esse mundo fora já estariam certamente colados ao ecrã. Em casa, no café ou até no trabalho, os próximos 90 minutos seriam merecedores de toda a atenção possível, como se fossem os momentos mais importantes de muitas vidas. Não o seriam certamente, apenas mais um tema de conversa, para a próxima semana quiçá as seguintes duas ou três. É esta a verdadeira magia e encanto do futebol.

O jogo começou. As oportunidades foram surgindo de parte a parte, sem que se pudesse afirmar categoricamente que uma das equipas era dona e senhora das operações. Do lado sportinguista, assistia-se com emoção a um pequeno grande artista argentino, que corria, saltava, caía, levantava-se e com as suas fintas estonteantes, que mais pareciam golpes de rins certeiros, ia fazendo a cabeça em água aos defesas benfiquistas. “El Pipi”, Romagnoli de seu nome, era o grande destaque nas operações ofensivas dos leões, comandando grande parte das iniciativas da formação de Alvalade e balanceando os seus companheiros para o ataque. A seu lado, na busca inconformada pelo golo, um sempre temível Liedson, que apesar de “levezinho”, não pode ter muito tempo a bola a seu bel-prazer sem causar estragos na baliza adversária. Os benfiquistas já o sabem de experiência própria (que o diga Luisão) e não lhe deram muito espaço, mas só a sua presença em campo já impõe respeito e ocupa grande parte do tempo e atenção dos mais directos adversários. Djaló era o companheiro na frente de ataque, correu muito, conseguiu desequilibrar com as suas constantes mudanças de velocidade, mas, como já vem sendo hábito, faltou-lhe o principal: eficácia na hora de finalizar. Vukcevic, o jovem e talentoso montenegrino que o Sporting contratou esta época, é dotado de recursos técnicos infindáveis e a qualquer momento, num lance de génio, poderia sentenciar a partida. Não teve muita margem para a manobra e só a espaços foi dando um ar da sua graça. As pérolas da “cantera” leonina, Moutinho e Veloso, iam segurando o meio-campo leonino contra as investidas dos encarnados, não tendo por isso muitas oportunidades para espalhar todo o perfume do seu futebol pelo tapete da Luz. As preocupações defensivas tomaram-lhes a maior parte dos 90 minutos do dérbi. Na defesa dos comandados de Paulo Bento, tudo sólido. Polga era o patrão, Tonel seguia-lhe os passos e Abel e Ronny não comprometiam.Stojkovic era o último obstáculo do muro de betão verde-e-branco e sempre que foi chamado a intervir não facilitou. Ao intervalo tudo a zeros.

Na segunda parte, mais do mesmo. Algumas oportunidades e lances prometedores de ambos os lados. Muita luta e garra em cada disputa de bola. Polémica aqui e ali. Palmas, assobios… Mas faltava o ingrediente principal: o golo. Os treinadores fizeram algumas mexidas nas equipas. Bento tirou Vukcevic e colocou o sueco Farnerud. Perdeu em vivacidade e imaginação, ganhou em tranquilidade e contenção.Mais perto do fim lançou Celsinho, talvez como tentativa de surpreender Camacho, que certamente não estaria à espera que o seu opositor lançasse às feras o mais recente reforço da turma de Alvalade e quem sabe se o criativo brasileiro não poderia ter um rasgo de inspiração e criasse algo de novo numa partida que continuava sem o principal condimento. Não aconteceu! Podia ter acontecido. Curiosamente, o técnico espanhol do Benfica, após a aposta em Cardozo e antes da entrada de Nuno Assis, pareceu querer imitar o seu homólogo e lançou o por muitos aclamado como prodígio norte-americano, Freddy Adu. Os golos não apareceram. O marcador ficou mesmo sem sabor.

Para a história ficou o 0-0 final. Para as conversas de café e manchetes de jornais ficaram as decisões polémicas da equipa de arbitragem. Pediram-se duas grandes penalidades para um lado, uma para o outro. Três lances discutíveis, que podiam ter decidido o jogo para um dos lados, mas que não foram assinalados e nada alteraram. Falta de Katsouranis sobre Romagnoli? Talvez, o grego falha a bola e não consegue evitar o contacto físico com o argentino, derrubando-o de forma clara. Mão na bola do mesmo Katsouranis? Admite-se que sim, como se poderá dizer que não. O médio benfiquista é apanhado um pouco de surpresa com o desenvolvimento do lance mas parece colocar o braço numa posição favorável às suas pretensões, de modo a que o esférico não seguísse para o adversário Farnerud, que já aguardava de perto pela sua chegada. Moutinho trava em falta Adu? Assim parece, pois o jovem sportinguista tenta atingir a bola, mas já chega tarde e toca no norte-americano, mesmo que sem intenção, admitia-se mais uma vez que fosse assinalado o castigo máximo, como o seria plausível nos outros lances. Mais grave, e menos badalada, foi a expulsão perdoada a Luisão, por uma entrada violenta pelas costas a um adversário, que Pedro Henriques resolveu com um simples amarelo. Também Rodriguez poderia ter visto uma cartolina encarnada, num lance igualmente perigoso sobre um jogador leonino. Da mesma maneira que foi perdoado um cartão amarelo ao “maestro” por entrada muito dura sobre Liedson, ou pelo lance em que teve um comportamento no mínimo estranho para com João Moutinho, quando no meio do burburinho causado pela suposta mão de Katsouranis, que o juiz auxiliar de pronto assinalou mas o árbitro principal ignorou a indicação, empurrou e gritou com o capitão leonino como se fosse ele o culpado de um erro que a sê-lo seria da equipa de arbitragem. Nessa mesma altura a falta de respeito de alguns atletas benfiquistas para com o juiz de linha (bocas e gestos despropositados e injuriosos) poderia e deveria ter sido sancionada com o respectivo cartão amarelo aos prevaricadores.

O resultado não pode ser considerado injusto, mas, ao analisar mais friamente as jogadas de perigo, a qualidade de jogo, a atitude e a disposição e comportamento em campo de cada uma das formações, parece transparecer que o Sporting foi a equipa mais esclarecida durante o encontro e demonstrou mais classe e consistência no seu futebol. Faltaram os golos… E no fim de contas, polémicas e rivalidades lisboetas à parte, o vencedor da noite acabou mesmo por ser… o FC Porto, pois claro.

Análise à arbitragem, por João Costa

Arbitrado pelo sempre consensual Pedro Henriques, o jogo grande da jornada, foi grande até nos casos. O “Major” fez uma arbitragem que provavelmente vai fazê-lo perder “adeptos” mas junto dos adeptos já que a actuação de Pedro Henriques no derby lisboeta foi considerada positiva pelo observador de serviço ao jogo.

Quanto ao jogo em si, teve três grandes casos em lances disputados dentro das respectivas áreas de grande penalidade e passíveis de castigo máximo:
– Aos 20′, Romagnoli cai na área benfiquista num lance com Katsouranis. Grande penalidade indiscutível que ficou por marcar. “Katso” tenta mas não consegue tocar na bola, derrubando o seu adversário com a perna direita.
Erro grave da equipa de arbitragem.

– Aos 70′ o caso do jogo. Um parêntesis inicial para os eventos que se seguiram ao lance em questão, que não deveriam constituir surpresa junto dos adeptos, dado que é uma situação normal numa equipa de arbitragem. O árbitro assistente viu o lance, interpretou-o e sinalizou ao árbitro a infracção. O árbitro decidiu não seguir a indicação do seu auxiliar como está no seu direito enquanto chefe de equipa. Situação normal de arbitragem num jogo de futebol extrapolada pela difícil (e sempre sujeita a julgamentos toldados pela cor) análise do lance em si.

Quanto ao lance, ficou uma grande penalidade por assinalar. Não sabendo o que passou pela cabeça do jogador grego, não posso julgar se ele junta o braço ao corpo para não tocar na bola ou para tocar na bola impunemente. Não podendo analisar isto, a análise seguinte será às consequências do acto. Com o referido toque, intencional ou não, faz com que a bola não chegue a Farnerud que ficaria não isolado mas em boa situação para criar perigo. Sendo assim o toque inviabilizou uma jogada de perigo do Sporting e com isso Katsouranis tirou vantagem de ter tocado, mais uma vez intencionalmente ou não, a bola com o braço.

Há que dar, no entanto, o benefício da dúvida à equipa de arbitragem pela dificuldade e subjectividade que a análise deste lance pode ser revestida.

– Aos 90’+2 é Adu que cai na área sportinguista numa disputa com Moutinho. Mais uma vez, ficou uma indiscutível grande penalidade por assinalar. Adu entra na área e já dentro desta é derrubado por João Moutinho que não chega a tocar na bola. Mais um erro grave da equipa de arbitragem.

Fotos: Futebol de Ataque/City Files

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