Posts Tagged ‘Opinião’

Falemos então de desporto: Vou-te bater, outra vez!

Fevereiro 25, 2008

Miguel Pereira*

Na jornada 19 da Bwin Liga, assistimos a cenas lamentáveis no final do jogo em que o Nacional venceu o Vitória de Guimarães, por 1-0, no Estádio da Madeira. O técnico alvi-negro, Pedrag Jokanovic, teve uma paragem mental e quis tirar satisfações com o técnico adversário, Manuel Cajuda. Depois de ver as imagens – que muitos dos leitores com certeza também viram –, tenho pouco acrescentar.

Pelo que parece, no jogo da primeira volta, Manuel Cajuda terá dito a Jokanovic:”Vou-te partir a cara”. Algo que me custa, sinceramente, a acreditar. O técnico vimaranense é aquilo a que podemos chamar um “gentleman” do futebol. Uma pessoa extremamente calma e pacífica. Para alguém que já acompanha o desporto rei há vários anos, custa a acreditar que o Manuel Cajuda tenha dito algo do género.

E mesmo que tenha dito, será esta a forma correcta de resolver as coisas? Óbvio que não. Jokanovic podia chegar ao pé de Cajuda e dizer: “Então sempre me faz partir a cara?” Discretamente, sem chamar a atenção das câmaras; assim evitava um castigo de, por enquanto, 45 dias.

Contudo, há que realçar que esta reacção do treinador sérvio poderia ter acontecido no final do jogo da primeira volta, ou então há pouco mais de um mês, aquando de um encontro entre as duas equipas para a Taça de Portugal. Mas não: Jokanovic quis responder às alegadas ameaças de Cajuda no seu reduto – onde pelos vistos foi ajudado pela polícia – e numa situação em que saísse vencedor. Porém, esta cena é profundamente lamentável e não dignifica o futebol português.

Mais lamentável ainda é o suposto envolvimento do corpo da PSP presente no Estádio da Madeira, que se envolveu na confusão, não com o intuito de acalmar os ânimos, mas sim para se juntar à festa e, ainda mais grave, do lado do agressor. Uma prova disso poderá as marcas no pescoço do jogador vimaranense Radonovic.

Esta aparente colaboração dos corpos policiais, contudo, é algo que me causa alguma estranheza. Como adepto do Marítimo, estou habituado frequentar o Estádio dos Barreiros, onde a segurança sempre foi exemplar. Recordo-me de situações de tentativas de agressão a jogadores adversários em que os corpos policiais agiram prontamente. Só não percebo é por que não procederam da mesma forma neste jogo.

Pedrag Jokanovic errou e terá de pagar pelo seu erro. Não podemos comparar, no entanto, esta situação com o caso Scolari, pois as diferenças são bem evidentes: Scolari foi defender um dos seus atletas, algo que foi comprovado no relatório do árbitro, enquanto que Jokanovic quis resolver da pior forma supostas desavenças antigas.

A avaliação deste caso poderá vista num prisma muito simples: Manuel Cajuda sempre demonstrou ser um profissional calmo e sereno, enquanto Jokanovic, quando representou o União, Marítimo e Nacional, como jogador, foi sempre um excelente profissional, mas com pouca calma, pouca serenidade e sobretudo com muita … impulsividade.

*Editor de Desporto

Falemos então de desporto: Difícil mas não impossível

Dezembro 19, 2007

Miguel Pereira*

Terminada mais uma fase de grupos da Liga dos Campeões, podemos fazer um balanço melhor que o do ano passado. Uma equipa qualificada para os oitavos-de-final e duas que continuam nas competições europeias.

O bicampeão nacional, FC Porto, era quem tinha o grupo mais acessível. Portanto, não foi com muita surpresa que conseguiu a qualificação para a fase seguinte. No entanto, o que é de destacar na prestação portista foi o importante primeiro lugar alcançado, à frente do poderoso Liverpool, que dá mais margem de manobra aos campeões nacionais para a fase que se segue. Em minha opinião, os comandados de Jesualdo Ferreira tem todas as condições para obter a qualificação para os quartos-de-final, pois, à excepção de Arsenal, o FC Porto é claramente superior às restantes equipas que lhe podem sair no sorteio. Se os “dragões” consumarem a passagem aos quartos-de-final, a partir daí, só resta sonhar.

Em relação ao Sporting, há que concordar com Paulo Bento quando este diz que “os jogos com a Roma foram decisivos para as contas finais do grupo”. Sabia-se que – após perspectivar os resultados que acabaram por ocorrer ante o Manchester United e Dinamo Kiev – que os jogos com italianos iriam determinar se o Sporting estaria na fase seguinte ou não. A sorte, porém, não acompanhou os “leões”, nomeadamente em Alvalade, e a passagem aos oitavos-de-final ficou pelo caminho.

No que concerne ao Benfica, uma pré-época complicada, que culminou com a saída de Fernando Santos e a, consequente, entrada de José António Camacho para o comando técnico. O técnico espanhol encontrou uma equipa nova, com poucas rotinas de jogo. A sorte acabou por não acompanhar os “encarnados”, que, apesar de boas exibições com o Milan e o Celtic, ficaram-se pelo terceiro lugar. Ainda conseguirão os objectivos mínimos, o que muitos perspectivavam impossível, sob uma temperatura de 10º negativos.

Para os rivais de Lisboa, apenas resta dar o seu melhor na Taça UEFA. Vencer a competição é difícil, tendo em conta o valor de adversários como o Bayern Munique, Atlético de Madrid e Werder Bremen, mas não impossível, e recorde-se que ambos os emblemas já foram finalistas da UEFA no passado.

Para uma melhoria da posição portuguesa no Ranking da UEFA era importante que o Sp. Braga se juntasse a Sporting e Benfica na próxima eliminatória. Os bracarenses têm obrigatoriamente de vencer o Estrela Vermelha para estarem presentes dezasseis-avos-de-final e, tal como os restantes emblemas nacionais, sonhar em alcançar algo que é difícil, mas não impossível.

*Editor de Desporto

Falemos então de desporto: E se reclamassem menos e apoiassem mais

Dezembro 12, 2007

Miguel Pereira*

O Sporting Clube de Portugal está em crise. É impossível negar. Maus resultados, aliados às fraquíssimas exibições, fazem com que não haja paz no reino de leão e Paulo Bento tem razão quando diz que o seu “estado de graça acabou”.

A verdade é que treinador leonino pouco pode fazer. Saíram jogadores importantes e aqueles que vieram parecem não dar conta do recado. No ano passado, o Sporting foi a equipa com a melhor defesa da Europa, algo que muito dificilmente acontecerá este ano, muito devido às saídas de Tello e Caneira, dois dos pêndulos que davam segurança á defesa sportinguista.

Outro facto que está à vista de todos é a fraca produtividade do ataque leonino. Como sabemos, Liedson é um jogador rende mais se tiver alguém ao seu lado. Este ano, o companheiro do atacante brasileiro parecia ser Derlei. O experiente avançado, que até estava a realizar um bom início de temporada, teve o azar, porém, de se lesionar com gravidade. Como tal, Liedson ficou sem o seu melhor companheiro de ataque e parece por demais evidente que Purovic e Yannick Djaló não servem para jogar ao lado do “levezinho”.

Portanto, conclui-se que Paulo Bento, com as cartas que tem, pouco pode fazer. Sem bons jogadores, não há resultados, sendo por isso que as exibições do Sporting têm ficado a desejar.

Para que seja atenuado esta crise que se vive para os lados de Alvalade, é preciso que os adeptos apoiem a equipa. Porém, uma certa facção da Juve Leo arranjou argumentos ridículos para protestar, indo buscar, inclusive, atitudes do actual capitão leonino quando este tinha apenas … sete anos.

Costumam dizer que nos maus momentos é que vemos os nossos amigos. Por isso, podemos concluir que o amor que essa facção da Juve Leo sente pelo seu clube, por todos argumentos ridículos que utilizaram para o seu protesto, é destituído de amizade.

*Editor de Desporto

Falemos, então, de Desporto: Crónica de uma qualificação anunciada

Novembro 25, 2007

Miguel Pereira*

Portugal qualificou-se para o Euro’2008, que se vai realizar na Áustria e na Suiça. Uma qualificação esperada, diga-se de passagem. No entanto, para alguns esta fase de apuramento ficou aquém das expectativas, pois alguns exigiam o primeiro lugar no grupo e que não precisássemos de um mísero empate na última jornada.

Falou-se por aí que era um grupo acessível, o que não deixa de ser verdade. O facto de ser acessível, contudo, não quer dizer que seja fácil. Portugal encontrou neste grupo A duas equipas que haviam estado no último Mundial, Sérvia e Polónia, uma formação habituada a estar presente em fases finais, a Bélgica, e uma selecção que evolui de ano para ano, a Finlândia. Portanto, podemos concluir que o nosso grupo não era assim tão fácil como alguns supostos teóricos de futebol – que sabem muito de teoria e tão pouco de prática – apregoavam.

A juntar a um conjunto de jogos difíceis e deslocações longínquas, não nos podemos esquecer que o seleccionador nacional não pôde contar sempre com os seus melhores elementos: Ricardo Carvalho, Fernando Meira, Jorge Andrade, Petit e Deco, devido a lesões, não puderam dar o seu contributo à nossa selecção em todos os jogos e a experiência destes jogadores fez muita falta na comitiva nacional.

Desde que chegou a Portugal, é moda – nunca percebi porquê – criticar Scolari no jornalismo português e atribuir os méritos da equipa das quinas a todos, menos ao sargento, que comanda as tropas. Tenho de confessar que muitas vezes não concordei com as opções de Luiz Felipe Scolari. Gostaria de ter visto Vítor Baía – a pessoa que eu mais idolatro no mundo do futebol – a defender a baliza nacional no Euro’2004, sou da opinião que Ricardo Quaresma e Tonel mereciam mais estar no Mundial’2006 do que Luís Boa Morte e Ricardo Costa. Mas o seleccionador é quem tem a decisão final e, como qualquer bom treinador, conta com os jogadores que lhe dão mais confiança. Ainda para mais – algo que devia calar todos –, este técnico brasileiro tem conseguido resultados históricos para o futebol português, nada mais que um segundo lugar no Campeonato da Europa (algo que nunca tinha sido atingido antes) e o melhor resultado num Mundial, em quarenta anos. Porém, nem estes excelentes resultados calam os (chatos) críticos.

Enfim, podemos concluir que a comitiva portuguesa, com uma excelente equipa técnica e uma série de jogadores com qualidade acima da média, é uma das favoritas à conquista do título europeu. Temos uma formação quase perfeita. Digo quase – nada é totalmente perfeito – pois ainda temos umas lacunas que têm de ser resolvidas até ao começo do Euro, nomeadamente a falta de um goleador e de um lateral esquerdo acima da média. Esperemos, por isso, que até Junho a sorte acompanhe os nossos ponta-de-lanças da e que aquele que, em minha opinião, é o melhor lateral esquerdo português da actualidade, Antunes, passe a jogar regularmente num qualquer clube, de modo a estar na convocatória final de Luiz Felipe Scolari.

*Editor de Desporto

Falemos então de desporto: Histórias de fairplay ou de falta dele

Novembro 5, 2007

Jorge Jesus, treinador do Belenenses, um dia disse, com razão, que o fairplay era uma treta e, infelizmente, é isso que se verifica dentro dos campos portugueses em qualquer desporto.

No entanto, aquilo que é gritante é a falta de fairplay fora das quatro linhas. A falta de respeito que os adeptos da casa, nomeadamente dos clubes grandes, têm para com os adeptos adversários.

É verdade que há adeptos que vão aos estádios adversário só para provocar os anfitriões. Mas há outros, nos quais eu me incluo, que ficam no seu canto, a ver a sua equipa jogar e que festejam, com naturalidade, os golos da sua equipa. São esses festejos, contudo, que não caiem bem nos adeptos da casa.

O problema é que a forma que esses adversários festejam, é sem provocar, apenas felicitam-se uns ao outros, sem provocar ninguém, nem picar o adepto anfitrião. Porém, os adeptos da casa não aceitam bem esses festejos e fazem de tudo para provocar aqueles amantes do desporto, que apenas querem ver a sua equipa jogar.

Enfim, este é um problema que tem a ver com a cultura portuguesa, ou seja, o intruso nunca é bem-vindo, mesmo que não venha criar problemas. É a nossa mentalidade, tão peculiar que não aceita alguém que não seja da “mesma linha”. O que ainda é pior é que o português não é afecto a mudanças e uma alteração de julgamento na cultura desportivo é, a meu ver, uma utopia.

Miguel Pereira
Editor de Desporto

Falemos então de desporto: Fim dos Mundiais e Europeus

Outubro 28, 2007

O Verão já acabou no Hemisfério Norte e com ele vão terminando quase todos os Campeonatos do Mundo e da Europa das mais variadas modalidades. E Portugal, no ano de 2007, esteve em grande. Este ano, houve 34 campeões da Europa e 20 campeões do Mundo – todos eles premiados pela CDP – cuja gala serviu de inspiração a este editorial.
Comecemos pelos desportos individuais – atletismo, triatlo e judo.

No atletismo, alguns atletas portugueses tiveram prestações fantásticas no Mundial. Em Osaka, no Japão, foram os saltadores Naide Gomes e especialmente Nelson Évora a trazer os melhores resultados. Nelson Évora arrecadou o ouro no triplo salto e Naide Gomes e Naide Gomes esteve perto de uma medalha mas acabou por ficar na quarta posição. Uma grande desilusão foi Francis Obikwelu que foi eliminado por falsa partida.

No triatlo, basta dizer que Vanessa Fernandes foi campeã mundial. Arrisco dizer que, caso o triatlo fosse uma das mais populares modalidades a nível nacional e internacional, Vanessa Fernandes seria uma das mais famosas e prestigiadas atletas do mundo. E mesmo não sendo tão famosa ou prestigiada quanto desejaríamos, continua a ser das melhores do mundo. Fantástico. Dá gosto vê-la fazer soar o hino nacional em tantas e tantas competições. Esperemos que a próxima seja os Jogos Olímpicos de Pequim!

No judo, Telma Monteiro continua a dar cartas e foi medalha de prata no Mundial, neste Verão. Mais uma atleta de grande gabarito que ainda continuará a dar-nos muitas alegrias.

Agora, os desportos colectivos – Basquetebol e Râguebi. Nestes dois casos, a simples presença numa destas competições foi, desde logo, uma vitória. Pela sua valia (ou falta dela) no plano teórico e por tudo aquilo que diziam das nossas equipas, estas duas formações acabaram por superar as expectativas.

A selecção portuguesa de basquetebol conseguiu, não só o histórico apuramento para o Eurobasket, em Espanha, como acabou com uma honrosa classificação. Os pupilos de Valentim Melnichuk qualificaram-se com alguma surpresa e acabaram por causar ainda mais sensação quando, deixando para trás a Letónia, se qualificaram para a segunda fase do Eurobasket. Depois, Portugal ainda derrotou Israel. Conclusão: ficámos no Top10 da tabela classificativa, mais precisamente o 9º lugar. Todos merecem os louros e todos foram, de um modo ou outro, importantíssimos mas referir João Santos ou Francisco Jordão na hora de destacar os mais preponderantes não será, de todo, injusto.

Depois do Eurobasket, o Mundial de Rugby. Nunca, no nosso país, tanta atenção tinha sido dada a este desporto encantador; nunca, no nosso país, os ”Lobos” haviam sido alvos de tamanho mediatismo. A população viu e sentiu de perto as exibições lusitanas em França. Jamais se pensaria que um conjunto de amadores, apaixonados por uma modalidade com tão fraca expressão no seu país – com falta de infra-estruturas e de apoios a todos os níveis -, conseguissem fazer o que até então ninguém tinha feito: ser a primeira selecção amadora a jogar num Mundial. E não foi fácil. Foi preciso ir a um Play-Off e ganhar ao Uruguai. E, apesar de não termos ganho nenhum jogo (ainda que contra a Roménia a vitória nos tenha escapado por pouco), demos uma boa réplica e mostrámos a nossa fibra – a fibra lusitana, de gente humilde e trabalhadora. Mas vencedora. E os “Lobos” foram vencedores por tudo aquilo que conseguiram fazer e por terem elevado o nome do nosso país. Foi um orgulho ouvir o hino cantado por gente tão grande, em tamanho e em dedicação.

Faltam ainda dois campeonatos importantes para Portugal. Em primeiro lugar, o Campeonato Mundial de Futebol de Praia 2007, que, como aconteceu nos últimos quatro anos, se irá disputar na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (Brasil). Aqui, Portugal poderá rectificar a quarta posição alcançada em 2006. Recorde-se que, além das finais perdidas em 1999, 2002 e 2005, Portugal já ganhou a prova em 2001. Em segundo lugar, o Campeonato Europeu de Futsal, que vai decorrer em Portugal, mais precisamente na zona do Grande Porto, nos pavilhões de Gondomar e Matosinhos. A grande popularidade da modalidade no nosso país e as provas dadas pela FPF no que respeita à organização pesaram na decisão de trazer até ao nosso país este Europeu. Portugal é uma das mais fortes equipas do mundo e o factor casa poderá ser preponderante numa possível boa campanha lusa neste campeonato.

Depois de tão boas prestações nos mais variados Mundiais e Europeus, espera-se agora que no Futebol de Praia e no Futsal as coisas corram se maneira semelhante. Eu acredito que sim.

No fundo, quero, com este texto, enaltecer as grandes prestações de portugueses – e em nome de Portugal – por muitos atletas que, nos últimos meses, levaram o nosso nome e os nossos símbolos além-fronteiras.

Francisco Reis
Sub-editor de Desporto

Falemos então de desporto: O que interessa é a vitória!

Outubro 22, 2007

Na passada quarta-feira, o Rádio Clube Português deslocou-se à Escola Superior de Comunicação Social, de onde a estação relatou o jogo da equipa de todos nós frente ao Cazaquistão.

Às 15 horas, em ponto, começou o jogo em Almaty, e atrás dos microfones, no auditório da ESCS, estava nada mais, nada menos, de que Fernando Correia, uma das vozes mais conhecidas da rádio portuguesa e um dos grandes artistas dessa arte que é o relato futebolístico.

Pelo meio, um jovem estudante de jornalismo dava o ar da sua graça, ao experimentar uma das mais difíceis tarefas do mundo radiofónico. E, para uma primeira vez, até não esteve mal!

Ao intervalo foi o momento em que me juntei aos meus colegas no auditório – pois durante a primeira parte estive retido na sala de aula devido a apresentação de um trabalho. Nessa altura lancei um palpite: “Vamos vencer por 2-0, golos do Makukula e Cristiana Ronaldo”. Nunca imaginei que a minha prece fosse atendida, e que os jogadores a quem tinha apostado iriam marcar os golos da Selecção Nacional.

Numa altura em que já ia a correr para uma banca, de modo a apostar no Euromilhões, o Cazaquistão reduzia para 2-1, o que me fez desistir de gastar dois euros para provavelmente não ganhar nada.

No final, os alunos da ESCS ali presentes estavam efusivos; muitos foram bajular o repórter do Rádio Clube Português para uma entrevista. Todos disseram que “isto foi muito bonito e que o colega que se iniciou na arte do relato esteve muito bem”, etc. e tal.

Eu fiquei ali a assistir, confesso que com alguma inveja daqueles que tiveram os seus primeiros cinco minutos de fama. Mas também digo que se por acaso o repórter me dirigisse o microfone, as minhas palavras seriam estas: “Isto tudo foi muito bonito, mas o importante foi a vitória de Portugal. O resto é conversa!”

Miguel Pereira
Editor de Desporto

Falemos então de desporto: A nossa xavalha maravilha

Outubro 18, 2007

O quotidiano desportivo português está recheado de rapazes e raparigas maravilhas. Mas, infelizmente, são poucos os jovens que recebem todo o apoio e felicitação da população portuguesa.

Cristiano Ronaldo é considerado o nosso puto maravilha. Jogador de um inegável talento, que leva ao delírio milhares de fãs por todo o mundo. No entanto, há outra atleta, com a mesma idade que o jogador do Manchester United, que está, posso dizer, está para o triatlo como Ronaldo está para o futebol. Falo-vos de Vanessa Fernandes, a quem considero a nossa xavalha maravilha.

Com apenas 22 anos, a triatleta portuguesa é, sem sombra de dúvida, a melhor do mundo nesta modalidade. Soma vitórias, atrás de vitórias, que deixa este pequeno país à beira do Atlântico orgulhoso.

Recordo-me dela nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, na altura campeã da Europa, onde conseguiu um fantástico oitavo lugar. Após a conclusão da prova, Vanessa, então com 19 anos, formulou um desejo: “Daqui a quatro anos quero sair com uma medalha”.

Se o desejo da triatleta se concretizar, além de ser um prémio merecido por toda a sua humildade e dedicação ao triatlo, esta medalha será mais uma a juntar à já larga colecção de medalhas que a portuguesa já tem. Contudo, não é medalha qualquer, pois esta tem o sabor especial de ter sido conquistada na mais importante competição desportiva.

A verdade é que Vanessa Fernandes está a fazer um óptimo caminho até Pequim. Tem ganho quase tudo o que há para ganhar. Por vezes, digo, como ironia, que só as derrotas de Vanessa deveriam ser notícias, porque aí é que temos algo de novo, diria até de insólito. Pois as suas vitórias, essas, não surpreendem ninguém!

Falemos então de desporto: Recordando Barrigana

Outubro 7, 2007

É difícil dizer quem foi o melhor guarda-redes português de todos os tempos, pois há sempre um grande conflito de gerações, que apresenta sempre diferentes alegações. Na minha geração, Vítor Baía é quase unanimemente considerado o melhor; aqueles que vislumbraram futebol nos anos 70/80 dividem-se entre Damas e Bento; na década de 60 foi José Pereira quem mais se destacou.

O homem que falarei neste texto, no entanto, é provavelmente o melhor guarda-redes português da década de 40/50. Falo-vos de Frederico Barrigana, guardião que se destacou no FCPorto.

Quando era jovem, e porque a vida não estava fácil, trabalhou como corticeiro. Sonhava que o futebol o tirasse da miséria, e aos 18 anos é contratado pelo seu então clube do coração, o Sporting. No entanto, Szabo nunca lhe deu uma oportunidade, sendo que nesse mesmo ano o Porto, com crise de guarda-redes, pediu em Alvalade que lhe cedessem um dos guardiões em stock.

Partiu, então, para as Antas, onde se impôs, tornou-se adepto portista, e marcou uma época nas balizas azuis e brancas. Contudo, numa altura em que os grandes de Lisboa dominavam o futebol português, Barrigana não conquistou nenhum título de dragão ao peito.

Sempre que entrava em campo, tinha o seu cabelo penteado em brilhantina, um autêntico actor que Hollywood, que deixava em êxtase o público feminino. Eram bem conhecidas as suas noitadas, bem como o seu mau feitio, sendo frequente envolver-se em confusões.

O homem que é o segundo guarda-redes que mais vezes defendeu as balizas portistas no escalão maior do futebol, logo a seguir a Baía, faleceu domingo, em Aveiro, cidade onde residia, depois de durante muitos anos se sustentar com uma pequena pensão da segurança social e outra que era dada pelo FCPorto, que assim reconhecia tudo o que este “homem de mãos de ferro” fez pelo clube.

“De há quarenta anos para cá, com entusiasmo, fervor e admiração, vi jogar quase todos os guarda-redes portugueses, (…) e todavia, para meu desgosto e frustração, nunca assisti a nenhum jogo do meu verdadeiro ídolo, Frederico Barrigana, o Mãos de Ferro, keeper do Futebol Clube do Porto.”
António Lobo Antunes, in Livro de Crónicas

Miguel Pereira
Editor de Desporto

Falemos então de desporto: Um portal para o desporto

Outubro 1, 2007

Sejam bem-vindos a este novo projecto do jornalismo nacional. Hoje um grupo de amigos viu os primórdios daquilo que foi um projecto que demorou meses a concretizar. Depois de muito planeamento e alguns argumentos, vemos enfim “menina dos nossos olhos” a começar.

Quanto à secção que me compete, a de desporto (com muito orgulho, refira-se), tenciono que seja um portal de referência no desporto nacional. Como responsável por esta editoria, posso garantir que tentaremos dar atenção merecida a todas as modalidades. Sempre que se souber que um atleta português honrou o nosso país, ele será aqui referido. Se alguém se sentir menosprezado, de agora em diante, que aceite as minhas mais sinceras desculpas.

É preciso, contudo, sublinhar que tudo é feito a pensar num mercado. Quer queiramos, quer não, o futebol é o desporto rei e, logo, é a modalidade que nos poderá garantir maior audiência.

Dentro do futebol, seremos imparciais, apesar dos nos nossos gostos clubísticos. Deixaremos a paixão de lado, de modo a fazermos um bom trabalho.

Falemos então de desporto, é rubrica de opinião, digamos a voz desta secção, que será exposta todas as semanas.

Quero realçar que esta secção é constituída por elementos competentes, amantes de desporto, e que percebem daquilo que estão a falar.

Por último, lanço-vos um desafia a vocês, leitores: estabeleçam uma interacção connosco, a fim de fazermos um melhor trabalho. Quero-vos críticos e, se possível, se algum de vocês gostar de desporto como nós, que se junte à nossa equipa.

Miguel Pereira
Editor de Desporto